AUXILIUM IN PERICULO
A associação humanitária dos bombeiros voluntários de Ovar, foi fundada oficialmente a 23 de maio de 1896, com Os primeiros Estatutos, aprovados nesta data, e que tiveram ainda a aprovação da Câmara Municipal, a 23 de Junho, e do Governador Civil do distrito de Aveiro, visconde de Alenquer, a 20 de Julho desse ano.
Por esses Estatutos «é organizada em Ovar uma Associação humanitária, denominada “Associação de Bombeiros Voluntários de Ovar”, associação «que durará por tempo ilimitado, e tem por fim socorrer os habitantes deste concelho e limítrofes em qualquer incêndio, explosão, inundação, desabamento e outras calamidades públicas, tanto quanto caiba nas suas forças».
A câmara de Ovar «porá à disposição desta Associação todo o material que o município possua e vier a adquirir, destinado à extinção dos incêndios».
A Associação ficou com 4 classes de sócios:
– beneméritos;
– honorários;
– auxiliares «Os indivíduos que, não desejando comparecer aos actos a que a corporação é obrigada, prestam, contudo, facultativamente, o seu auxílio aos activos em ocasiões críticas»;
– activos. «todos aqueles que fazem parte da companhia de incêndios; são aprovados pela direcção, depois da informação do médico da Associação. quanto à sua robustez».
Os sócios auxiliares e activos «não devem ter menos de 18 nem mais de 40 anos de idade».
Os Estatutos determinaram que «O Regulamento na parte em que trata do serviço activo dos incêndios será organizado em harmonia com o comandante dos bombeiros voluntários do Porto, sob cuja inspecção e direcção fica o corpo activo desta Associação», e que, enquanto se não se proceder à eleição dos corpos gerentes, a direcção compor-se-á dos seguintes sócios:
Presidente -João José Alves Cerqueira
Vice-presidente -Dr. António dos Santos Sobreira
Secretário-Frederico Ernesto Camarinha Abragão
Vice-secretário-Francisco Marques da Silva e Costa
Tesoureiro-Dr. João Maria Lopes.
OS 14 SÓCIOS FUNDADORES (23/5/1896).
Foram fundadores da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ovar os seguintes cidadãos:
- António Augusto Freire de Liz, de 26 anos.
- Dr. António dos Santos Sobreira (1861-1931), de 35 anos.
- Carlos Ferreira Malaquias, de 24 anos.
- Francisco Marques da Silva e Costa.
- Frederico Ernesto Camarinha Abragão.
- João José Alves Cerqueira (1860-1948), de 35 anos.
- Dr. João Maria Lopes (1859-1939), de 36 anos.
- Dr. Joaquim Soares Pinto (1867-1928), de 28 anos.
- José Luís da Silva Cerveira (1866-1909), de 30 anos.
- José Marques da Silva e Costa
- José Ramos
- Justino de Jesus e Silva
- Manuel Gomes Pinto
- Silvério Lopes Bastos
1º PRESIDENTE DIREÇÃO
1º COMANDANTE
OS ANTECEDENTES (RAZÕES PARA A FUNDAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO)
A BOMBA DE INCÊNDIOS (1869-1896)
A 3 de Maio de 1869 a Câmara Municipal de Ovar, então presidida pelo dr. Manuel de Oliveira Arala e Costa, pagou a Francisco Peixoto Pinto Ferreira por uma bomba de incêndio a importância de 250$000 réis.
O comerciante Francisco Peixoto, natural de Sabrosa, casou com Maria do Carmo Sousa Leite, em 1878, falecendo em Ovar, na Rua Elias Garcia, a 6 de Janeiro de 1930.
Até 1896 – Durante 27 anos! – só houve essa bomba que o povo fazia rolar pelas ruas para acudir a qualquer incêndio, e que, a 13 de Novembro de 1929, foi vendida à corporação de voluntários de Castro Daire.
O MAIS VIOLENTO E PAVOROSO INCÊNDIO DO FURADOURO (31/7/1881)
OUTRO GRANDE INCÊNDIO NO FURADOURO (14/7/1887)
AINDA OUTRO GRANDE INCÊNDIO NO FURADOURO (7/6/1892)
O INCÊNDIO NA CASA DO «DOMINGOS MARINHÃO» (30/3/1896)
A 30 de Março de 1896 verificou-se um incêndio na rua de S. Bartolomeu (actual rua de os Estêvão), pelas 10 horas da noite, na vivenda do negociante de arroz Domingos da Fonseca Soares, o Domingos Marinhão. O Ovarense, de 5 de Abril, noticiou o incêndio:
«Na segunda-feira, à noite, manifestou-se um pavoroso incêndio na casa de habitação do sr. Domingos da Fonseca Soares, negociante de cereais da nossa praça. Às dez horas da noite os sinos deram o rebate de incêndio, quando este já tomava proporções assustadoras. Todo o prédio foi consumido pelas chamas e se estas se não comunicaram aos armazéns contíguos, pertencentes ao mesmo proprietário, deve-se isso aos socorros prestados.
Depois desse dia tem-se pensado em formar uma companhia de bombeiros voluntários, fornecendo a câmara os materiais, porém este projecto há-de ficar como muitos outros e… em projecto, até que rebente novo incêndio igual aos do Furadouro».
Escreveu, mais tarde, o dr. Zagalo dos Santos, que «OS políticos se desentenderam-se fundamente, e por largo período agravaram-se triste e funestamente. Quando em 1896 um incêndio destruiu um prédio de Domingos Soares, já essas desavenças tinham perdido muitíssimo da sua gravidade e assim foi possível, quase um milagre! – o consórcio dos dois partidos (regenerador e progressista) para que nascesse, da ajuda de todo o concelho, a Associação dos Bombeiros».
(in HISTÓRIA DA ASSOCIAÇÃO HUMANITÁRIA DOS BOMBEIRO VOLUNTÁRIOS DE OVAR, 1896-1996 (1º DENTENÁRIO), Alberto Sousa Lamy)

